sexta-feira, 17 de abril de 2009

VIDEO - A História das Coisas

Esse video tem uma abordagem simples e nos faz refletir sobre uma série assuntos, inclusive, abordados neste blog.

video

Bom feriado!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O que vale mais?

No final de semana passado, eu assisti pela televisão imagens da festa do Centenário do Sport Clube Internacional, de Porto Alegre. Foi uma mobilização sensacional. Um número enorme de pessoas nas ruas celebrando os cem anos do clube. Imediatamente me lembrei daqueles Telões da Copa espalhados pelos grandes centros urbanos do país, reunindo milhares de pessoas. Emocionante quando sai um gol.
Daqui algumas semanas, não será diferente: Aqui em São Paulo, a Avenida Paulista será tomada pela torcida campeã paulista. Tomara que não depredem nada desta vez.
Nos jornais vemos aquela foto panorâmica mostrando a multidão...
Ou então quando o Corinthians foi rebaixado e a torcida foi até a sede do Clube cobrar por mais amor ao time, pelo fim da bagunça... Os dirigentes com medo, tudo escondido.
Lembrei-me também quando o Ayrton Senna foi enterrado. Nossa, eu estava na escola e foi colocada uma televisão no pátio para que víssemos. Aquilo foi indescritível. Cada 10 metros de trajeto estava repleto de pessoas prestando suas homenagens, dando honras ao fantástico esportista. Lembro que eu chorei de emoção... Ficava aquela musiquinha da vitória sendo tocada num pianinho sentido, quase um choro. Milhares de pessoas...
Quantas pessoas perderam o emprego por estarem lá? Será que as namoradas romperam os namoros? A manicure ficou indignada por não terem comparecido no horário marcado?
O que faz do esporte algo mais importante que nosso próprio futuro? Nossas vidas em sociedade? Será que o centro de Porto Alegre, a Avenida Paulista, o Portão do Corinthians, ou cada 10 metros de Brasil, não verão nesta nova década uma reunião popular que esteja ali para exigir mudanças no modo de vida, na conduta ética, moral e política da nossa sociedade? Que esteja mobilizada em honra a toda uma nação e não só por interesses de uma classe só, ou movidos a dinheiro?

Será que a corrupção precisa fazer centenário? Será que as falcatruas judiciárias precisam ganhar o Campeonato Paulista?

Se hoje, nós do Grupo Mãos convocássemos uma manifestação, onde quer vocês residam, para ir as ruas trajando uma cor de roupa, contra a corrupção ou exigindo a mudança de mentalidade do lado egoísta do nosso povo, alguém iria???? ALGUÉM IRIA?
Pro carnaval de rua, eu sei que iriam!

O que, dentro da cultura de um povo, nos faz acreditar que podemos nos unir para festas e não podemos nos unir para mudanças? O que, na cabeça de nós todos, nos faz viver sob a tradição de que nada pode ser mudado? O que já foi tentado mudar e que não mudou? Diga-me por quem e me diga quando! Todos os movimentos populares da história da humanidade levaram o tempo que foi necessário, mas SEMPRE aconteceram! Toda tirania caiu. Toda dominação caiu. Toda mentira. Toda ocupação. Toda exploração. Todo terror... Sucumbiu diante de uma mobilização popular genuína. Algumas levaram gerações, outras apenas meses, mas 100% delas aconteceram!

O quê, dentro de você, te faz achar que é um monte de medo e solidão, de covardia e apatia, que cola sua bunda na cadeira enquanto é época de se levantar?
Não venha concordar comigo! Quero saber a tua resposta!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Você tem, e dai?

“Eu tenho, você não tem!!! Eu tenho, você não tem!!!!”
Quem não se lembra dessa propaganda de produtos escolares com personagens da Disney, vinculada há alguns anos? Famosa pela frase que se espalhou com rapidez e pelas dores de cabeça que alguns pais enfrentaram nas papelarias com os filhos implorando pelos produtos.
A propaganda foi tirada do ar.
Mas, e essa frase: “Eu tenho, você não tem!!!”?
Essa frase deixou explicito, numa brincadeira de criança na escola, uma vontade reprimida pela grande maioria das pessoas. O verdadeiro motivo do “ter”.
Hoje, somos bombardeados por frases imperativas com mensagens do tipo Tenha, Compre, Possua.
Tudo leva ao consumo desmedido, a vontade de ter o maior, o melhor, o mais caro, o mais moderno. E para que?
Para implicitamente olhar para seu amigo, conhecido do trabalho, da escola, vizinho e pensar: “Eu tenho, você não tem!!!”
Aposto como neste exato momento você esta pensando: “Eu não faço isso!!!”
E eu te digo, faz sim. Todos fazem, consciente ou inconscientemente.
Eu fiz, e às vezes ainda faço. E assumo isso com vergonha.
Esta sociedade consumista julga as pessoas pelo o que elas possuem, o que elas vestem e os lugares que freqüentam.
E se estão sendo julgados por tudo isso, então por que não ostentar o que possuem?
Quem não deseja o celular último modelo, objeto de desejo? Já se perguntou se realmente um celular de R$2.000,00 é necessário ou é apenas para desfilar com ele por ai para despertar a inveja das pessoas?
Sim, inveja. Ninguém admira ninguém pelo celular, pelo óculos, pelos sapatos, pela bolsa, pela marca da etiqueta da sua roupa e por todas as outras coisas que se podem comprar. Ninguém admira, mas é o primeiro item a ser julgado.

Compra-se sem medida para satisfazer um único sentimento, o ego. E entrando nessa roda, atrás dele vem a inveja. Claro, se você tem, mas o cara da mesa do lado aparece com um melhor, o que você vai sentir de verdade? Vai ficar feliz por ele, ou vai querer ter no mínimo um igual para apaziguar a inveja e voltar a inflar o ego?
A partir do momento que a pessoa compra um bem para ostentar, fica observando e buscando, para sempre ter o melhor, o maior, o mais caro, o mais moderno, e assim continuar alimentando o ego.
Uma guerra silenciosa. Ninguém assume, ninguém fala, mas está lá. Esta em todo lugar. Uma bola de neve dentro daquele que vive isso. Um busca sem fim, por uma sensação de prazer ínfima, ridícula de tão pequena e tão passageira.
Perde-se nesse caminho a satisfação pessoal, pura e única, de conseguir comprar algo que realmente deseja. Perde-se o prazer de curtir esse momento, sozinho, sem necessidade de falar no megafone sobre a última aquisição.
Compra-se por necessidade real, compra-se por prazer, mas muito se compra para ostentar, para mostrar, já que assim, sente-se melhor, sente-se maior do que as outras pessoas.
E isso, sabendo-se ou não, segrega mais e mais as pessoas. Existem as que podem e tem, e as que não podem e fazem de tudo para ter. E eu me pergunto, para que?
Para ser considerada alguém neste esquema da sociedade. Quando os bens materiais passaram a definir uma pessoa, eu não sei, mas definem.
A primeira vista, o primeiro contato, é o que se vê. Não se enxergam a personalidade, o jeito, as idéias. Vêem-se o carro, as roupas, os penduricalhos eletrônicos. E querendo ou não, este é o primeiro filtro usado para classificar alguém, a peneira utilizada para uma aproximação ou não, uma conversa, o conhecer realmente a pessoa.
E vive-se ostentando para ser aceito.
Compre, compre mesmo. Compre o necessário não o mais caro, compre o útil não o fútil, compre para você e não para o mundo. Aproveite e celebre essas conquistas materiais, com você mesmo.